Pesquisadora francesa estuda os Pontos Catarina
Hélène Chauveau, estuda Geografia Rural na Université Lumière Lyonz, está pesquisando sobre os jovens que vivem na zona rural de Santa Catarina. Ela participou da Jornada Cultural de Abelardo Luz, passou por Xanxerê e na semana que vem estará em Lages. Abaixo reproduzo matéria sobre o assunto:
Pesquisadora francesa utiliza Xanxerê para estudo sobre cultura de jovens do campo
Xanxerê recebeu nesta quinta-feira (29) uma estudante da França que está pesquisando sobre os jovens que vivem na zona rural de Santa Catarina. Hélène Chauveau, estuda Geografia Rural na Université Lumière Lyonz. O estudo que ela desenvolve no Brasil servirá para a dissertação de conclusão do mestrado.
Durante toda a quinta-feira, Hélène visitou a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Xanxerê e foi acompanhada pela gerente regional de Turismo, Esporte e Cultura, Ana Cecília Sirino. Em conversa com o TSX, a francesa relatou como iniciou o trabalho na região.
- Estou fazendo uma pesquisa para o meu mestrado em Geografia Rural. Estou pesquisando as práticas de cultura e lazer dos jovens rurais. Eu já conhecia o MST antes de vir para o Brasil e pesquisei junto ao responsável do setor cultural do movimento. Ele me falou da “Jornada Cultural” em Abelardo Luz e me convidou. Fiquei lá duas semanas nos assentamentos para entrevistar os jovens, conhecer as práticas deles e expectativas – conta Hélène.
A SDR de Xanxerê é uma das etapas da pesquisa da estudante. Conforme Hélène, a ideia do projeto é também descobrir que tipo de políticas públicas são realizadas nas cidades para manter o jovem no campo.
- Eu escolhi três SDRs em Santa Catarina: Xanxerê, Lages e em Florianópolis. São três ruralidades muito diferentes e muito interessantes de fazer a comparação. Uma é familiar, outra latifúndio e novo rural. Eu acho que a SDR é uma escala bem interessante, pois é maior que um município, mas menor que um Estado. Eu entrevisto muito os jovens para saber a expectativa deles, se a cultura ou falta de cultura pode ser um elemento da decisão deles de mudar para a cidade, pois esse é um problema daqui. Converso também com adultos que cuidam desse setor para saber o que os políticos fazem ou não fazem nessa área – explica a pesquisadora.
Hélène já entrevistou também jovens em Chapecó na Universidade da Fronteira Sul. Há três semanas na região de Xanxerê, a francesa fica na cidade até a noite desta quinta-feira (29). A pesquisadora pretende ficar até fevereiro no Brasil, buscando descobrir cada vez mais sobre os hábitos e costumes dos jovens do campo.
- Gosto de saber o que eles acham de diferente na vida urbana e rural, o que eles preferem e porque, do que eles sentem falta nas comunidades deles, porque querem sair e o que faltaria para que eles fiquem. Outra questão é se eles são diferentes dos jovens urbanos, pois tem muito preconceito sobre os jovens rurais, dizem que eles adoram o sertanejo, mas isso não é verdade, têm muitos que gostam também de rock, por exemplo – argumenta.
A gerente de Turismo, Esporte e Cultura da SDR, Ana Cecília Sirino acompanhou Hélène enquanto esteve em Xanxerê
Constatações da pesquisadora sobre a realidade local
A pesquisa ainda está longe da conclusão, mas Hélène adiantou ao TSX algumas constatações.
- A juventude rural no Brasil é bastante pesquisada por ser um assunto problemático e que todos os municípios querem que o jovem fique na zona rural. Os pais, os responsáveis pelas comunidades têm muito medo da saída dos jovens, pois seria o sinônimo de desaparecer, pois o jovem é o futuro, sem eles não tem futuro a comunidade. Existe esse lado de preocupação, mas por outro lado nada é feito, ou tem coisas feitas, mas, sobretudo, na área da agricultura – constata.
A pesquisadora segue ainda com outras conclusões.
- Eu acho que poderia ser interessante, e isso não é muito bem percebido aqui, desenvolver mais outras áreas. A zona rural não é só um lugar de produção, não é um lugar de jovens que querem ser agricultores. Eles querem também sair no sábado à noite, acessar aos bens culturais, ter internet na casa dele, ter um show na comunidade deles ou ir ao cinema. São coisas que eu acho normal, pois lá na França isso seria normal, pois em todos os territórios tem acesso a essas coisas. Não se faz essa pergunta você gosta de sair ou da zona rural? Você pode ter acesso as duas coisas. Eu sou da zona rural lá e adoro sair, ir ao teatro a festivais de música e isso é natural, pois na nossa comunidade temos um pequeno Centro Cultural. Aqui isso não existe, mas é possível – finaliza ela.
Após concluir a pesquisa, a estudante pretende fazer outra tese, também em território catarinense, ampliando o assunto e discutindo as atividades que não são agrícolas, mas que se desenvolvem no campo, como o turismo.
(Texto e foto: Cristine Maraga)










Grupo ShyuDaiko 12:37 on 20 de novembro de 2012 Permalink |
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